27 março 2006

eu vi

Vi o silêncio quando ignorei a chuva.
Era o cantinho mais escuro da varanda.

24 março 2006

fala então,porra! Exploda!

Não falo sobre o que não entendo
abro a boca para os sapos
falo com a gente como falo com a minha meleca
me arrependo do que não disse.


Abro as mãos para o horizonte
fecho os dedos para os intocáveis
digo nunca mais sem certeza
deixo o braço só de lembrança
porque nunca se sabe quando vai chegar...

Um moinho de vento para espalhar as sementes.





16 março 2006

flutuando em meio a pernas-de pau.

Vem de onde esse movimento ao contrário que faz tombar o chão feito de nuvem?
Me disseram os rios, que eles não sentiram que estavam andando. Eram nômades por natureza.

Mas ai daqueles homens presos em ramos de raízes, sem a oportunidade de dar uma cambalhota no ar.
Mas ai de mim entorpecida de pernas-de-pau que entortam meu pescoço.

Foi quando eu entrei no rio e vi que tinha que fazer muito mais força para ir para o lado contrário.
Vale a pena mesmo que sacrifique um pouco de sorriso.
Só um pouco de sorriso.

08 março 2006

vira uma casa

Toca que minha vida é o mundo que faz barulho de vento.

No muro que as coisas acontecem em formas escondidas para ninguém te ver passar.
A porta é tambor quando se está ansioso para a chegada.
Coloca o teto na cabeça para poder ver o céu mais de perto.
Tira as escadas para pular mais alto.
Quebra a janela para não fechar nunca mais.
Põe o pé no mundo porque a casa é pequena demais.

A casa pode caber o mundo, ou só você.

02 março 2006

Abrindo as portas de São vazio

Se um amontoado de folhas rabiscadas cairem,foi porque o tempo passou.
Eu!

Daquela porta que emperra toda vez que a gente coloca a mão nela, a Tonta senta na varanda e fica olhando um monte de gente engolindo um monte de gente.
Aí ela coloca a mão na cabeça e aperta para virar uma lagartixa. Ela quer caber na boca do passarinho.
Lagarteando...
lagarteando...
Concentrando
e emperrando no mesmo corpo cheio de órgãos.

Eu falo: Posso até emprestar um espelho para ela. Mas tadinha da Tonta, pensa que muda.
Fico muda! Vai que ela consegue...
Eu vou ficar com a cara inchada de tanta vergonha de desacreditar nela..

Volta para a Tonta...

Ela disse: Varanda não. Quero morar dentro de uma laranja!
Abre a porta da laranja que sai um São vazio.

Eu falo: Eu já me perguntei se era geladinho morar em um tomate.
Abre a porta do tomate que sai um São cheinho.

A Tonta pulou em um tomate que quica, me amassou e abriu a tampa da laranja.
E eu nem precisava de um espelho para mostrar a ela tudo que aconteceu.
Ela virou lagartixa.
E eu? Uma acreditada no extraordinário.