30 junho 2006

Parede: prêmio para os que sabem como conversar.

A parede pode ser imã de xixi de cachorro
Pode também estar de forma estranha para atrapalhar o lugar que o sofá deve estar
Pode também mudar de cor, uma em cima da outra
Pode ser limpa
Pode ser riscada

Hoje eu conversei com a parede.
Eu estava sozinha?
Não, não...
É só uma questão de hábito caquético.
A gente faz uma vez, gosta. Faz duas e percebe que é um ambiente fértil para o ócio.
Quando vê, troca a TV ou uma boa conversa com mesma espécie, para passar uma noite agradável com a parede.

O pior é que eu tive que romper com agradável hábito.
Furei ela para colocar porta-retratos.
Eu a traí.

19 junho 2006

Prometendo ao de repente

Foi de repente.
Eu sinto.
Tu não sentes.

O tempo
Eu sinto o tempo
embaraçando a memória
vigorando os devaneios
Digo não ao tempo para fingir que não está.

Por mais que eu seja jovem
e o mundo grande
e o agora sendo tudo
e o amanhã sendo tudo
e o depois de amanhã sendo tudo

Por mais que eu grite por dentro
que o desforme me ataque
que a ponta seja a lâmina
eu espero pelo momento eu.

Por mais que me pareça cafona
o tempo não é meu
a escolha sim.