30 janeiro 2006

Estranho


Sim, o que é humano às vezes assusta.
e estranha.

Eu não quero mentir a dor de uma humana que estranha o homem.

Eu queria mudar esse homem. Queria muito mais que vomitar desesperanças.

Você trouxe um problema tão real que eu estranhei.

A cara, chega de bobeira, é de verdade! Eu tô me sentindo muito mal!
muito mal mesmo!!!

Sua interrogação trouxe desassossego.
Elaa tá no meu colo, e eu não sei o que fazer.
Mas eu agradeço a sei lá quem, porque você não trouxe a solução.

24 janeiro 2006

Do buraco ao mergulho

"Mas como adulto terei a coragem infantil de me perder?perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando." Clarice Lispector-Paixão Segundo GH.

Foi aí que eu entrei em um buraco.
Estava tudo no escuro,porque até alí, eu não podia ver o perigo que estava tateando o olho esquerdo.
Pisei em coisas. E eu só podia dizer isso delas.
Eram amontoados como eu. A mesma falta de verdade que todas as coisas têm no mundo, mesmo que vivam arrastando na minha cara esse movimento estragado de sentidos.

Mas eu também saí do buraco e encontrei o rio.
Foi como se eu tivesse entrado em bolhas de "quero mais" e ficaria a boiar naqueles sorrisos que a gente sorri sozinha, só com as lembranças.

Foi como se as fuligens tivessem precipitado dentro do rio.
E eu tirei os óculos para ver melhor.

Sim, eu entrei em Clarice.


18 janeiro 2006

Os tambores de Salpanéia

Quando as crianças chegavam, a festa começava. Tudo porque elas tinham vindo de terras distantes para tornarem-se adultas.
Salpanéia deixava as crianças velhas.
E os tambores diziam com os barulhos violentos, que a velhice não era mole.
Não era mais bonita de se ver.
Mas como toda criança que se transforma em coruja ou em sinos de igreja, era boa a possibilidade de ser mais alguém, mesmo que fosse um adulto.
Quando se transformavam em homens robustos, viravam apenas um só.
Que pena!
Os pequenos enjaulados em gotas de "homens crescidos".
Os tambores fazem o som de cada corpinho que perdeu o seu par.
.
(Vejam Mansão Foster para amigos imaginários)

07 janeiro 2006

As grandes devoradoras de formigas

As cigarras cantam porque são maiores




Uma cigarra devora todas as formigas
Várias cigarras devoram uma formiga
A formiga trabalha mas não canta
A cigarra canta e devora
A cigarra seduz cantando
A cigarra canta o barulho que faz quando devora formigas


Todas as formigas esperam o abraço da boca da cigarra

02 janeiro 2006

a dança das pinturas

A menina tinha feito uma fantasia para a festa da escola.
Vestiu-se de pirulito.

Ela fez assim:
Primeiro: Pulou para a varanda
Segundo: Olhou para o céu
Terceiro: Sentiu o olho doer
Quarto: Percebeu que o sol estava forte
Quinto: Dançou para a chuva
Sexto: fez a chuva
Sétimo: apareceu o arco-íris
Oitavo : colocou ele em um pote.

Não exatamente nesta mesma ordem.

Jogou o arco-íris no corpo
Virou um pirulito
...e foi para a festa...

Não exatamente nesta mesma ordem.

Chegou da festa
pintou as paredes do quarto
...e dormiu...
já descolorida demais para o sonho.