25 agosto 2006

Pisando em tijolos da cor que todo mundo conhece

Empurrando cimento que cola tudo em coração de luz

Coração de telha-parede

Coração para gente

Coração com pedaços estéreis de construção

Coração demolido

17 agosto 2006

A balança caiu no arco-íris

É assim quando a gente chega na vida. Perna firme de madeira forte.

Quando a gente chega, nem aquele serrote que dói faz bambear a madeira.
Nem quando corta seu coração, seu pulmão ou sua boca.
A madeira resiste mesmo perdendo cotocos no caminho.

Mas não é uma história feia ficar de perna bamba.

Quando ficamos cansados de levantar tijolos construindo história, a perna fica bamba.

O corpo que era de madeira de lei vai virando pó de tempo.
E a balança começa a pesar muito mais para o arco-íris do que para a madeira.

Aí a gente de perna bamba vai para as cores, virar pó de colorido.




Achei uma boa maneira de acreditar como as pessoas somem no mundo.

09 agosto 2006

Momento de virar pessoa

"Let down and hanging around, crushed like a bug in the ground. Let down and hanging around." Radiohead


Acordou se sentindo macho demais para pensar nos outros.
Não permitiu um olhar a borboleta.


Naquele dia ele fez questão de ignorar a barata e não acreditar em ET.

Leu filosofia, fez ciência, comeu "foie gras"e andou na calçada.

A civilidade era tanta, que fez arte plástica com os papéis que lhe davam na rua.

Olhava para o parque com todo aquele deslumbre racional procurando poesia.
Naquele dia ele quis fazer arte, e foi roubar ela dos homens humildes.

Foi à biblioteca virar autodidata.

Foi no bar para virar boêmio que sabe da vida.

Pediu um quarto de hotel para transcrever o desconhecido.

Uma mulher com chapéuzinho de pintor gritou
: Flâneur querido, virar pessoa é difícil!!!



Virou o espelho pensador.